segunda-feira, 21 de junho de 2010

Diário de um adolescente piegas: Com FÊ sem FÉ

Despido quase por inteiro da FÉ, peço licença à minha alma juvenil para falar da FÊ. O título é o que menos importa, mas poderia ser: Sem FÉ e sem a FÊ. No nordeste o som inicial da vogal é mais aberto e no Sudeste é mais fechado. Aqui na Bahia a chamamos de FÉ (rnanda), no sudeste FÊ (rnanda). Não importava o espaço temporal, tão pouco a entonação. O nome saia dos lábios com gosto de encanto. Ela era onipresente em meus devaneios. Eu a amava na medida desesperada das minhas pulsações juvenis. Ela passou um bom tempo sendo minha pérola. Deixei por vezes a minha tão sagrada zona de conforto para ser apenas o ombro que amparava suas lágrimas. Dividimos e compartilhamos muita coisa. Matamos aula juntos, colamos na prova de matemática, comemos muito doce na praça de alimentação do Iguati, rimos demais com o melhor do besteirol do cinema norte americano, fizemos o relógio parar a fim de não ultrapassarmos o horário de prestarmos contas a rádio patroa ou patrão de cada adolescente que possui uma educação vigilante. Beijamos-nos naquele “outrora perigoso bairro” em um dia em que a chuva só abrilhantou o instante. Ainda lembro-me das flores colhidas aos pingos de suor do muro do vizinho. Nossa... o simples esboçar do sorriso valeu cada um dos 1000 perrengues que passei para agradá-la. Só para me deliciar com aquele sorriso. Só para ver suas retinas demorarem em mim. Acho que estar ao lado dela foi a primeira manifestação de Deus na minha adolescência. Era intenso, mágico, fulgural. Vinha-me à memória até aquilo que não havíamos vivido. Tudo lembrava nós dois.
Quisera a velha irônica (A VIDA), colocar em seu caminho um velho amigo do amigo de um primo que jamais foi meu. Um tecnocrata que supostamente estagiou em uma empresa de segurança no Litoral Norte. Os caminhos desse cara têm Nortes diversos. O suficiente para nunca se saber o que se estar por vir. Astuto toda vid, perspicaz em seus planos, minucioso em seus projetos e engenhosamente maquiavélico quando se queria alcançar um objetivo. Um jovem sem FÉ e louco para ter a minha FÊ, mesmo custando-lhe a alma e por tabela demonizando a minha. Ah, e como demonizou!! Vou deixá-lo para lá. Esse texto é só uma despedida, um lamento piegas de um amor vencido pelos boatos. A historia é longa e as páginas do meu diário estão no fim. Muita coisa está em fim de ciclo. Serviu para eu entender que sem Fé não se alcança o impossível. Só um milagre. Só Ela, Deus e um novo diário fariam a história tomar outro rumo.

... (pausa para o Big Tasty com Soda)

Ela já não é a mesma flor que hoje flerta com meu amigo. Ouço tudo com intervalos de um sorriso jocoso. Não menos cruéis do que a denúncia nas telas do computador. E eu estremeço. Afeta-me profundamente. Seria esse o objetivo? Não sei! Ela... a FÊ não teve FÉ. Não suportou. E Eu sem FÉ comecei a perder a minha FÊ. Enquanto escrevo nesse dia 20-06-2010, o gatuno, o velhaco, com minha benção, consuma o que o destino lhe reservou.

E então tudo se fez claro
E então tudo se fez raro
Você massa bruta
Eu a doçura

Sem Fé não amei, não jurei, não rocei o perigo
Com a FÊ não corri o risco, não separei o joio do trigo
E eis o meu castigo:

Ficar sentado no escuro
Sendo expectador do seu mundo
Vendo tudo se perder.

Depois dos desgastes, abriu-se uma lacuna em algumas das suas fugas para dentro ou para algum outro lugar ao qual ainda me é estranho. Nos últimos tempos não consigo mais enxergá-la. Meu corpo passou a sofrer pela certeza da ausência - desmaterialização real e virtual. Um ir-se embora... um parto dilacerante... um roubar-se de mim. Apenas os vários anúncios de furtivas chegadas, noticiadas por outrem. Sempre por outrem! E Eis que... ficou opaco. Caiu na vala do esquecimento. A dor é como um guarda-chuva que de repente é primavera e a gente não mais sabe que ela existe.

Então queridos leitores... tudo pode acabar assim, como um copo caído cujo líquido se esvai e não mais se recupera. Como aquele sol que morre sem aplausos, as casas abandonadas, as ruas sem ninguém – um texto inacabado - FErrado!

Transpirado por Adriano Marques

2 comentários:

  1. naum é dificil se identificar, adolescentes são sempre pobres padecentes de uma mesma dor, a dornde crescer, o duro sofrimento de vê indo junto com o sol que adormece a bela infancia e aparecendo junto com a escuridão da insegurança o luar das responsabilidades.

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  2. aff.. é sempre uma honra ter um comentário de uma das criaturas mais sensíveis e racionais que eu conheço. A contradição aí é válido porque esta mulher é multi - ela é 1000. Tem o DNA de uma vencedora! Beijão

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