terça-feira, 23 de maio de 2017

IMPEDIMENTO

É golpe,  bebê!  

Alguém aí ainda tem dúvidas? 

Ou melhor...

Você tem ódio ou tem dúvidas?


Ódio

Dúvidas

Dívidas com a verdade

Um povo gado

Que grita

Anseia por liberdade 

Na hora do abate

Reconhece o machado

Vislumbra o seu algoz

É o mesmo

É o patrão

Travestido de empregado do povo

É o jornal

O ministro

É o conto de fadas da honestidade. 


É ódio ou dúvidas? 

É golpe

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O AMOR EM PÓ DE CAFÉ



O amor que se ampara
Por miudezas onipresentes
Rituais cotidianos
O caminho presente de um prazer banal
Assim! Como o vapor do café entre olhos que se miram.

Nossas miúdas têm extremidades de mesas em paralelo
Abertura embaixo
Para os pés que namoram
O controle remoto ao alcance
A Bossa
A arte
A Nova
A pós-moderna
Híbrida
Num amor sólido
Aqui
Sublime
De um entre-lugar cujo caminho
O Coração já não sabe viver sem estar.

Angústia da escuridão
O Tempo - a piscadela
De um século em escuridão
Que sinaliza o maior dos medos
Pois, como todos sabem
O coração só teme a finitude.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Meu FORA TEMER se alia ao seu FORA CORRUPTOS




O combate à corrupção não deveria ter lado. Sinto que a surra sofrida nas urnas durante as eleições municipais não foi suficiente para promover naqueles que se autointitulam "progressistas / esquerdistas", seja lá o que isso possa significar, a tão necessária e propalada reflexão pós golpe. Reflexão é um substantivo que está na esfera do abstrato, e é tão democrático que todos podem se apropriar dele, caminhar pelos trechos da consciência e chegar ao destino que melhor apetece aos juízos formados. A minha caminhada reflexiva leva ao "Fora Temer", que de jeito nenhum está desatrelado do "Fora Corruptos", sejam eles de quais partidos forem.
Perde-se na batalha discursiva do impeachment, perde-se na batalha hercúlea das eleições municipais, e na guerra contra a corrupção continuam a se degladiar os afligidos de sempre, numa luta estúpida de quem vai morrer primeiro. No terreno da Corrupção todos perdem.
TODOS!
Eu não sou ingênuo... meu "Fora Temer" que mal aparece na telinha da Globo só pode se consolidar através da JUSTIÇA. Daquela mesma que está de olhos bem abertos para uns, e de olhos vendados para outros. Mas, veja, amigos e amigas, não é de agora! Sempre foi assim! Nunca foi equânime, sabemos disso, convivemos com essa realidade desde que mundo é mundo. A justiça é por vezes tão abstrata quanto o convite à reflexão, e os dois geram efeitos práticos revolucionários para o bem e para o mal.
O FORA CORRUPTOS de ontem, ressoava na minha cabeça como FORA TEMER, pois não sou esquizofrênico, nem sofro de amnésia seletiva. Barrar a Operação Lava Jato sempre foi obra dos artífices do golpe. E sim, caros amigos e amigas, foi golpe, e nosso discurso jamais se perderá, pois está gravado em áudio, vídeo, em papelzinho de recado de amante e os cambal. Esta trincheira já está nos anais da eternidade, e não contradiz o seu engajamento junto à passeata do combate à corrupção. Você é brasileiro, e sua história de expropriação é centenária. Levante-se contra isso!
Defenda uma sociedade progressista ou de esquerda, mas não se esqueça daquilo que você vai cobrar do seu próprio filho amanhã, que é ética, respeito, moral, responsabilidade, probidade e seriedade.
A esquerda sempre colocou como um grande mal a elite fascista desse país. Pois bem, senhores e senhoras, na minha humilde e míope perspectiva de análise, a elite desse país é aquela que escolhemos para nos representar, a mesma que desvia bilhões em benefício próprio, que aumenta ao infinito seus próprios salários, que rouba compulsivamente o erário público, ungida pelo voto dos contribuintes e miseráveis de sempre. Aliada à elite da iniciativa privada, que sempre financiou nossas glórias e desgraças, fazem um verdadeiro bacanal, numa festa que jamais nos convidam. Convenhamos!!
Sou brasileiro, trabalho, estudo, crio meus filhos, ralo pra caramba, e não sou igual a eles. Eles se comportam como alienígenas com seus carros novos e blindados, trabalham, se muito, duas ou três vezes na semana, fazem as vezes de lobistas e grandes empresários a despeito dos interesses da maioria, se tratam no Sírio Libanês, os filhos se educam nos Estados Unidos, e passam lua de mel sujando lençóis no centro de Paris. Por isso, não aceito quando dizem que eles são o reflexo da nossa sociedade! Desculpa, a sociedade pela qual transito, pega ônibus cheio, se trata no HGE, trabalha quase seis meses para pagar impostos, tenta desviar de balas, e quando infringe leis é punida com rigor. Eu bem sei disso!
Portanto, compatriotas, meu "Fora Temer" se alia ao seu e ao nosso "Fora Corruptos", na certeza de que no sofrimento e na indignação somos todos iguais!

PS. E se você ainda acha que o Temer deve ser poupado na sua cruzada anticorrupção, não faz mal, nossas discordâncias serão abafadas dentro da relevância das nossas convergências.

Um abraço e até a próxima passeata!!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

ALUCINAÇÃO MODERADA



Lembro do bote. A imensidão da morte. Um ente presente que dialoga com meu medo.
Falta oxigênio no meu cérebro, por isso não consigo conectar o pensamento, e aqueles que ouvem também não compreendem. Esse texto é o retrato da desconexão.
Não sei o que é pior, se o mar que deseja me tragar ou se o bote que vai desistindo de mim, ou se a lógica da sanidade que me abandona. 

- Os remos já se foram! A angústia é o meu panóptico, o vale do desconhecido.

Lambe as feridas - a humanidade desassistida. São os cosmopolitas no aeroporto do deputado. São os pedaços de uma terra chupada, onde moro, respiro, transpiro.
E fico! Não tenho espaço. Sou menos cosmopolita do que qualquer companheiro de boina e jaqueta. 

- Trás a palha, corto o aço. A carne fica e o corpo rejeita. Não sei o que é amor, nem me lembro de como é o orgasmo. Estou farto de experiências inúteis, bundas sem rosto e sobrenomes trocados. Sinto-me asfixiado. É o bote que já virou e a água que deseja me abraçar.
- Lembro do bote. A imensidão da morte. Um ente presente que dialoga com o meu destino.
O índio sorriu. O português entendeu. O negro fugiu. O Holandês se “fodeu”. O Operário ganhou terno elegante.
- O Patrão agradeceu.
Os cortiços caíram. O samba acabou. O português enriqueceu. A prostituta se casou. O lugar - aluga-se!
- Foi o início do Brasil. Foi o dia em que me reencontrei com o infinito do mar!

PANELAS SURDAS



Tentando ser didático: ( parte 1)


 - Nos últimos 20 anos, nenhum outro país do mundo praticou a taxa de juros que praticam aqui no Brasil. As empresas decidiram comprar títulos da dívida pública, ao invés de investir em produção. Se não há produção, não há emprego, não há crescimento econômico, não há riqueza. Pagamos quase 50 % de tudo que arrecadamos aos financiadores da dívida, os chamados rentistas. A taxa de lucro oferecido pelo Brasil é um oásis fiscal. São rentistas porque só vivem de renda, não batem um prego na barra de sabão, e não geram um único emprego. São os representantes da classe dominante.
Como não é mais possível aumentar impostos para diminuir a asfixia financeira do país, o governo, os políticos que também são financiados pelo capital dos rentistas, se esforçam para promover superávit fiscal, ou seja, enxugar os gastos públicos a tal ponto que gere excedente para enriquecer mais ainda os donos do capital, mesmo que para isso, eles tenham que cortar da vida (saúde), do futuro (educação), da dignidade (alimentação), da segurança pública, dos recursos para a iluminação do seu bairro, da grana para a merenda das crianças, do Bolsa Família, do programa habitacional, dos direitos do trabalhador, da previdência e etc.
Impressiona que ninguém discuta o desmonte de privilégios dos nossos congressistas; a bancada conservadora não concebe de maneira alguma a hipótese das "igrejas multimilionários de Cristo" pagarem algum tipo de imposto; ninguém discute o absurdo que é um pobre trabalhador brasileiro pagar a mesma alíquota de imposto de um Neymar ou de um Eike Batista; ninguém fala em reduzir os bilionários incentivos fiscais destinados a grandes multinacionais.
A PEC 241, por exemplo, é um atentado não só a Constituição. É sobretudo um golpe contra os mais necessitados deste país, porque são aqueles que de fato sobrevivem da atuação do Estado, que neste momento passa por um processo de desmonte. Ouço panelas surdas, vejo um povo anestesiado pelo pão e Circo dos órgãos de imprensa que prestam um serviço inestimável aos donos do capital.
O teto de gastos não atingiu a imprensa que nos últimos meses fez tantos negócios com o governo que já estão fora do vermelho; o judiciário, a categoria funcional mais cara do país, teve aumento substancial e excepcional em momento de crise; os bancos nunca deixam de bater recorde de lucro ano após ano. A corrupção é uma doença e mata o futuro! Ou seja, a torneira só fecha para o segmento mais frágil da sociedade.
Quero crer que a crise tenha emperrado, somente por hora, a produção da Tramontina. Ou então, vou lamentar a esquizofrenia em forma de ódio seletivo que tomou conta do país nos últimos anos, um traço marcante de ignorância útil, digna de pena.

(Rascunhando um preâmbulo)



Não me olhe com este tom de voz. Não me cheire com esta língua - líquida, insana, andarilha. Onde vais? Onde pensas que vais com este cheiro de desejo que me bebe pela manhã, e que não me concedes a misericórdia de um minuto de sossego, este hálito de madrugada, esta foda possuída, esta roupa de lua...?
Certo dia, tu foste embora, se retou com meu excesso de (a)normalidade, vestiu a canga da sacanagem, se rendeu ao “filha da putismo” de tudo que envelhece o olhar e cala a coragem. Este princípio da negação das vísceras, da carne e da libido, em nome de misericórdia. O nosso teatro em “50 tons” fecharam as portas, o canto dos aplausos de flautas doces, bailarinos do aqui e ali, foram banidos da “Casa dos Budas Ditosos”.
...
- Um traço irremediável do destino é o equilíbrio, após a catarse. São nossos ritos de passagem!! Mas isso jamais nos serviu - alvenaria de um mundo em decadência!
...
Volta, pois nosso pecado já foi absolvido por todos os arcanjos da poesia. A mesma que assassinou a baeta cristã que vive do dinheiro do apocalipse, que se masturba do medo daquele amanhã que teima em não nos convidar, e que se refastela com os níqueis dos recém-aprisionados.
Danem-se a moral, os bons costumes e os sinais da caretice do tempo, e vem me assaltar de mim, na madrugada de hoje! 

- O público nos espera...

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A UTOPIA DE UM CORPO NA PRAIA


Que mundo horrível, meu Deus. Não consegui postar a imagem do garoto sírio na praia. Tenho filho, só pensei nele. As vagas espumosas beijando o corpo imóvel, o sonho, o riso, o futebol, a traquinagem, a brincadeira e o futuro que não mais serão.
Lembrou-me imediatamente outra fotografia de forte impacto emocional, a mais veiculada de todos os tempos, um menino sudanês em primeiro plano e o abutre ao fundo, o primeiro vencido pela fome, o segundo esperando para cumprir uma lei natural. Triste espécie humana. Tão triste que a criança na oportunidade sobreviveu ao abutre e o fotógrafo sucumbiu à dor, pirou, enlouqueceu, deu cabo da própria vida.
Duas histórias, e a condição humana em alerta.
Sinto que o estado de consternação deveria durar até que os oprimidos do mundo se tornassem de fato livres. Sonho meu, amigos, nossa perplexidade vai durar apenas até o horário do próximo jogo, novela, bronha, post, ou qualquer grito no escuro que rompa nosso estado de suspense. Qualquer, qualquer mesmo.
Parece fora de moda quando alguém toca em questões como cooperação, tolerância, divisão equitativa dos dividendos da Globalização, redução de desigualdades sociais, respeito às identidades culturais, às diversidades étnicas, à liberdade de culto, à soberania nacional. Vão enquadrar o cara como Comuna, esquerdista ultrapassado e várias outras classificações estéreis que nem vale a pena discorrer.
A dignidade de que todo ser humano deveria gozar, se configura obra de tamanha dificuldade, que chegamos a classificá -la como utopia. Uma pena. Vale a vida de um garoto! Difícil demais!
Mesmo assim, mesmo diante de dificuldades de toda ordem, imposta por interesses de uma minoria que se beneficia de todas as tragédias humanas; das silenciosas estratégias de expropriação dos recursos de países alheios, ou as vezes nem tão silenciosas assim, como ocorre em todo Oriente Médio, ao som de bombas de fragmentação, minas terrestres, e todo material bélico fornecido por grandes potências internacionais; mesmo diante da espoliação atroz do material humano dos países subdesenvolvidos, em nome de uma lógica de enriquecimento unilateral e imposição de valores culturais universalizantes que ignoram identidades culturais milenares; mesmo diante dessa Globalização como fábula e perversidade como classificou o grande geógrafo brasileiro Milton Santos; mesmo diante desse monstro que a humanidade construiu, sob o nome de "REALIDADE", não devemos desistir de sonhar. Porque se nós a construímos assim, então deve haver uma forma de desconstrui-la, e em se encontrando o feixe de luz que nos levará a um fururo melhor, caminhemos.
Como disse o humanista Eduardo Galeano, quando perguntado sobre para que serve a utopia:
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. PARA QUE SERVE A UTOPIA? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".
Talvez não baste caminhar, é preciso darmos as mãos.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

AFF, DEUS ME LIVRE






Deus que me livre da crueldade dos meus chegados, pois bem sabe Ele que os corações que me oferecem, há espinhos de ativação seletiva, cujas feridas provocadas em mim doeriam pra chuchu. Bem sei eu.
Deus que me livre de seguir como um boi o sacro santo dogma da ditadura da felicidade blasé. Aff... ninguém pode se considerar livre acordando todos os dias para buscar esse "sol que está sempre se pondo", como vemos nos anúncios do mundo publicitário. Antes, aprecie a caminhada despretensiosa dos encontros do acaso, é nela que as coisas ganham algum significado. Permita-se aos aromas, aos gostos diversos, experimente uma fossa, uma torta ou tequila... é bem por aí!
Deus me livre de taças, talheres, toalhas e copos arrumadinhos no jantar, e café frio pela manhã.
Deus me livre de perder o meu sono vendo a seleção brasileira. Tudo bem, confesso que o grito de gol do meu filho, e o tal "cabelo de Neymar" que ele tenta fazer com a espuma do Shampoo é um negócio impagável.
Deus me livre de passar uma noite se quer sem o colo, o dengo, o chamego da minha menina.
Deus que me livre de votar no PMDB. aff.. por favor! Por favor!!
Deus me livre da morte em vida, incerta, sofrida, Severina.
Deus que me livre da violência permitida em nome do prazer individual a qualquer custo, esta que esmerilha o coração do outro sob aplausos de uma plateia de "voyers", ávidos de prazer em presenciar de camarote o seu olhar desorientado que traduz uma alma em pedaços. Ninguém te abraça e ninguém te consola porque esses gestos sugerem injustiças, mas veja, caro senhor, estamos falando de uma violência permitida, às custas da impotência de suas lágrimas silenciosas. Qualquer voz de protesto será um grito ecoando num vale de lamentos ininteligíveis e serás taxado de louco. Faz parte do jogo ser violentado quando se sai de cena. Deus me livre! Deus que me livre! As peças desse tabuleiro me causam assombro, pois as regras estão tão sob o domínio do outro quanto disponíveis a mim, e elas devastam histórias pregressas, desconsideram qualquer afeição que se tenha a quem um dia já foi seu único porto seguro, nesse mar de solidões acompanhadas e muvucas sem rosto, onde os atalhos para uma felicidade inventada são o único caminho que não desejo seguir, tampouco ser vítima. Aff... Deus me livre!
Deus que me livre da maldade dos que me amam. Que a gente sempre se reconheça pela pupila.
Deus me livre de mim que detenho uma penca de chaves que abrem uma quantidade limitada de portas que não sei onde dão e que tenho à frente um espelho a me desfigurar toda vez que ouso lançar qualquer julgamento sobre o meu presente, passado ou futuro.
Ah, tenho medo de tanta coisa, a madrugada é curta, e o bule do café já vai "pro" fogo!

Bom dia!!